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 INTERCÂMBIO ESPIRITUAL E CULTURAL ENVOLVE PARELHEIROS E PINHEIROS

Intercâmbio Espiritual e Cultural envolve Parelheiros e Pinheiros
Encontro reuniu representantes do Santo Daime, Igreja Messiânica, Candomblé, Budismo, Antroposofia, Judaísmo, Umbanda e Religião Guarani

Texto redigido por Drielle Cerri e publicado originalmente no site da Prefeitura de São Paulo. Clique aqui para assistir ao vídeo-documentário sobre o evento.

Já passavam das 9 horas da manhã fria de domingo quando a cafeteria do Centro de Cultura Judaica começou a ouvir o ruído de murmúrios aumentar. Os convidados e os interessados foram chegando aos poucos e se servindo, entre comentários como “Nunca tinha participado de um evento com tantas religiões juntas!”, ou “Acho lindo isso, de juntar tantos grupos, parar com essas guerrinhas de religião”.

Por volta das 10 horas, teve início o debate com 8 representantes de diferentes tradições espirituais presentes na cidade de São Paulo: Santo Daime, Igreja Messiânica, Candomblé, Budismo, Antroposofia, Judaísmo, Umbanda e Religião Guarani. Alguns explicaram um pouco sobre sua religião, aproveitando a oportunidade e as dúvidas dos presentes, e todos conversaram sobre a importância de se perceber que todos esses movimentos espirituais buscam um mesmo objetivo, como bem explicou Guida Amaral, representante budista: “Não há dúvidas de que o que nos une é tentar ajudar os outros. As diferenças entre nós podem ser os métodos que usamos, e essa diversidade de adequação é que deve ser respeitada.”

Não só se discutiu as diretrizes de cada movimento, mas também sua contribuição para a sociedade ao seu redor. Muitos dos presentes no debate, entre os  que se encontravam no palco e na platéia, declararam participar de atividades e projetos voluntários que procuram atender necessidades da população, em projetos com crianças, jovens, adultos e idosos. Levantou-se a questão da religiosidade nas escolas, a possibilidade de ela ensinar valores morais e sociais que nos ajudem a lidar com os problemas atuais, como a preservação ambiental, a violência, a pobreza e a desigualdade.

Da platéia, Paulo Celso, integrante do CONPAZ (Conselho Parlamentar pela Cultura da Paz), da Câmara Legislativa do Estado, fez um pequeno discurso que ilustrou muito o que o debate trouxe à tona: “Somos todos formiguinhas em um imenso formigueiro. Mas, como pequenas formiguinhas, temos que dar nossas humildes colaborações, com nossa integração e, acima de tudo, com nossas ações.”

O espírito de unidade e compreensão que cresceu ao longo do debate acompanhou todos os participantes até o almoço, num pequeno restaurante da Vila Madalena, o Lá na Quitanda. Não havia distinção de grupos, de velhos ou novos conhecidos. Todos conversavam e se sentavam à mesa com novos amigos, para se conhecer um pouco mais.

A poucos metros de distância, a Escola da Rainha já estava preparada para receber o Intercâmbio. Da entrada ao salão principal, o chão estava coberto com pétalas de flores coloridas, indicando o caminho.

Devido ao atraso (o almoço tomou mais tempo do que o esperado), a oficina de Meditação Budista foi transferida para as 17 horas no Centro Budista Mahabodi, na Vila Madalena, mas as outras duas oficinas ocorreram normalmente. O Tai Chi Chuan reuniu mais pessoas no salão principal onde, seguindo os movimentos de Jerusha Chang, puderam aprender um pouco sobre a arte de se concentrar em seu próprio corpo e descobrir seus benefícios. Enquanto isso, na cozinha da Escola da Rainha, outros participantes faziam arranjos florais com as técnicas do Ikebana, na oficina ministrada pela professora Izildinha, ouvindo ao fundo os sons de instrumentos musicais dos guaranis, que terminavam os preparativos para sua apresentação no andar de cima.

Terminadas as curtas aulas, todos se reuniram no salão principal para assistir (e participar) do colorido da Dança Circular Sagrada que exaltava a chegada da primavera, para ouvirem cantar os curumins da aldeia guarani, cuja voz chegava a se confundir com o som agudo do violino tocado por um dos índios mais velhos, para divertir-se com a história cheia de música e cor de Nandí, “o boi-alegrinho” e, por fim, para saudar os orixás, cantando com Fabiana Cozza e admirando as danças típicas do Candomblé que eram executadas no centro da sala por dois fiéis que a acompanhavam.

Nas palavras de Antônio Marques Alvez Júnior, o Gê Marques, representante da Escola da Rainha (Vila Madalena) e do espaço Reino do Sol (Parelheiros), um evento como este é importante porque “situa as pessoas e, de alguma maneira, nos vacina contra as sementes da intolerância, que nos levam a cisões, não levam à paz, e não levam para a produção de nada que seja benéfico do ponto de vista social”.

A vontade de continuar o debate sobre as possíveis melhorias que cabem a cada um de nós para ajudar as pessoas ao nosso redor ficou latente durante o dia inteiro, e o clima de euforia se misturou ao desejo de pôr idéias em ação o mais breve possível. Mas foi Michle Metzger, representante do judaísmo, quem proferiu uma frase que ensinou muito em poucas palavras: “É bom lembrar que todos queremos resultados logo, mas estamos esquecendo de uma palavra: Paciência – que, no fundo, é a Ciência da Paz”.



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